OS PILARES DA EDUCAÇÃO PARA O AUTOCUIDADO

Postado em 01/jun/2021

O autocuidado se relaciona ao benefício que os indivíduos realizam em prol da sua própria saúde. Nessa perspectiva, a adesão ao tratamento não depende apenas de uma prescrição profissional, mas de uma conscientização do usuário sobre sua condição de saúde e autorresponsabilidade com seu estilo de vida, o que transforma o profissional de saúde e toda rede de atenção em parceiros.

Essa atitude de autocuidado não é simples, principalmente quando se trata de uma doença multifatorial, como a obesidade. Por isso, a educação para o autocuidado prioriza a escolha de necessidades, problemas e prioridades, definidos pela pessoa e consensuados com o profissional de saúde.

Nesse sentido, conhecer os três grandes pilares do autocuidado ajuda a mapear as prioridades ou mudanças necessárias para o enfrentamento da obesidade e outras doenças crônicas.

 

OS PILARES

 

  • Manejo clínico

    Neste primeiro pilar, predominam questões conceituais que seriam o aprender a conhecer e aprender a fazer. Nele encontramos os problemas procedimentais ou problemas cognitivos comportamentais. Por exemplo, o uso de medicação, cuidado com os pés das pessoas com diabetes, autoaferição de pressão arterial e/ou de glicemia capilar. Neste grupo, também podemos incluir os conhecimentos necessários sobre a doença, o conceito, o diagnóstico, os sinais e os sintomas de descompensação.

  • Estilo de vida

    Neste segundo pilar, predominam os conteúdos atitudinais que seriam aqueles que focam no aprender a ser e aprender a conviver, mas também temos aspectos de aprender a fazer. Este grupo refere-se às mudanças necessárias no estilo de vida, os novos papéis e as novas perspectivas de presente e de futuro diante de uma condição crônica. Por exemplo, a pessoa com diabetes que cozinhava para toda a família e como ela fará isso daqui para frente; ou a esposa idosa que cuida do marido doente e que se descobre também doente e precisa cuidar de si; a pessoa com hipertensão que precisa reduzir o sal e as gorduras da sua dieta; o usuário que terá de realizar atividades físicas e parar de fumar.

  • Aspectos emocionais

    Neste terceiro pilar lidamos com os aspectos emocionais do paciente e a mudança de visão de futuro, ou como ele lida, enfrenta a condição crônica e suas adversidades. O aprender a ser e aprender a conviver têm importância fundamental para termos sucesso no manejo desses aspectos. Por exemplo, os sentimentos de raiva, frustração, medo e preocupação com futuro, estresse, tristeza, cansaço físico e emocional precisam ser abordados e trabalhados com o portador da condição crônica e a sua família. Neste grupo de tarefas, abordagens psicoterápicas, assim como metodologias compreensivas, fazem-se necessárias. Observamos que, no terceiro grupo, conforme necessidade, deve se fazer o diagnóstico de problema de saúde mental associado. Lembramos que a depressão frequentemente está associada às condições crônicas.

Referência
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica. Brasília, 2014. 162 p. (Cadernos de Atenção Básica, n. 35).

Autora: Cíntia Pereira Donateli